Um acidente ocorrido em 1986 na central elétrica da Usina Nuclear de Chernobil, na então República Socialista Soviética da Ucrânia, lançou nuvens de material nuclear por toda a Europa e obrigou milhares de pessoas a se retirarem. Muitos morreram anos após, devido a doenças relacionadas à radiação.

Mais de três décadas após o acidente, o lugar que representa um sarcófago gigante, ganhou uma utilidade. É que uma usina solar foi inaugurada recentemente. No local, foram instalados 3.800 painéis que podem abastecer até duas mil casas.

O projeto é desenvolvido através de uma parceria entre uma empresa alemã e uma empresa ucraniana. É capaz de gerar um megawatt e teve o custo de 1 milhão de euros. 

A inauguração ocorre em um período de investimentos em recursos renováveis na Ucrânia. Entre janeiro e setembro, mais de 500 MW de capacidade de energia renovável foram acrescentados ao sistema elétrico do país.

A central moderna se situa bem diante de onde a antiga usina nuclear, hoje envolta por um sarcófago gigante, causou o pior desastre nuclear da história, três décadas atrás

Esta é a primeira vez que há geração de energia no local desde 2000, quando a usina nuclear finalmente foi fechada. Valery Seyda, gerente da velha usina nuclear de Chernobyl, disse que jamais imaginou que seria gerada energia naquele lugar.

*Mas agora estamos vendo um novo broto, ainda pequeno, fraco, produzindo energia neste local, e isso dá muita alegria*, disse.

Há dois anos um arco gigantesco de 36.000 toneladas foi erguido sobre a usina nuclear para bloquear a radiação e para permitir que os restos do reator sejam desmontados em segurança.

A inauguração da Solar Chernobyl coincide com um aumento de investimento acentuado em recursos renováveis pela Ucrânia. Entre janeiro e setembro, mais de 500 MW de capacidade de energia renovável foram acrescentados ao sistema elétrico do país, mais do que o dobro de 2017, segundo o governo.

Yulia Kovaliv, que comanda o Conselho do Escritório Nacional de Investimento da Ucrânia, disse que os investidores querem aproveitar os benefícios de um regime de subsídios generoso antes de o Parlamento realizar uma votação sobre sua revogação, em julho do ano que vem.

A nova usina foi erguida em uma região contaminada, em grande parte ainda sem condições de habitação.Mas já a possibilidade de visitantes conhecerem o local, acompanhados por guias munidos de medidores de radiação